domingo, 4 de maio de 2014

O ser Humano: Um ser inacabado. Como Paulo Freire trata categorias como consciência, sociedade, mudança e compromisso.

Podemos definir categoria, de modo geral, como qualquer noção que sirva como regra para a investigação. Assim sendo, identificamos no texto como Paulo Freire trata categorias como consciência, sociedade, mudança e compromisso. Freire afirma que é impossível se fazer uma “reflexão sobre o que é educação sem refletir sobre o próprio homem”. Assim, ele procura mostrar a necessidade de se encontrar na natureza humana o núcleo fundamental do processo educacional. As quatro categorias citadas ajudam na busca deste núcleo e aponta alguns caminhos a serem seguidos quando tratamos de educação.
A começar pela categoria consciência, a partir dela, o ser humano percebe-se inacabado e procura por meio da consciência refletir sobre a sua própria realidade. Ao compreender sobre sua realidade ele procura soluções por meio das hipóteses sobre o desafio dessa mesma realidade. A criação e a transformação do mundo em que vive passam ser reflexo desta consciência reflexiva e crítica. Nas palavras de Freire:
Na medida em que os homens, dentro de sua sociedade, vão respondendo aos desafios do mundo, vão temporalizando os espaços geográficos e vão fazendo história pela sua própria atividade criadora.
O contrário seria a sociedade alienada, que não tem consciência do seu próprio existir. E neste sentido Paulo Freire afirma que “o ser alienado não olha para a realidade com critério pessoal mas com olhos alheios. Por isso vive uma realidade imaginária e não a sua própria realidade objetiva”. O mesmo ocorre coma consciência bancária, quando o educando participa passivamente do processo educacional, perdendo o seu poder de criar e de transformar o mundo. Freire assim critica quando nossas escolas “se enfatiza muito a consciência ingênua” simplista e massificadora de comportamentos.
A mudança desta sociedade somente ocorrerá por meio do processo de conscientização. E esse é o processo educacional ansiado pela pedagogia de Paulo Freire: “a mudança de uma sociedade de oprimidos para uma sociedade de iguais”. Neste sentido, Moacir Gadoti refere a Freire no Prefácio do livro intitulado “Educação e Ordem Classista”:
Paulo Freire combate a concepção ingênua da pedagogia que se crê motor ou alavanca da transformação social e política. Combate igualmente a concepção oposta, o pessimismo sociológico que consiste em dizer que a educação reproduz mecanicamente a sociedade. Nesse terreno em que ele analisa as possibilidades e as limitações da educação, nasce um pensamento pedagógico que leva o educador e todo profissional a se engajar social e politicamente, a perceber as possibilidades da ação social e cultural na luta pela transformação das estruturas opressivas da sociedade classista. Acrescente-se porém que embora ele não separe o ato pedagógico do ato político, nem tampouco ele os confunde. Evitando querelas políticas ele tenta aprofundar e compreender o pedagógico da ação política e o político da ação pedagógica, reconhecendo que a educação é essencialmente um ato de conhecimento e conscientização e que, por si só, não leva uma sociedade a se libertar da opressão.
Aí chegamos a um ponto importante, a questão do compromisso não só do profissional, mas do compromisso do ser humano. Um compromisso que leve a ação e reflexão sobre a realidade, que leva o ser humano a sair da letargia em que vive para uma ação dinâmica e duradoura. Como afirma:
Impedidos de atuar, de refletir, os homens encontram-se profundamente feridos em si mesmos, como seres de compromisso. Compromisso com o mundo, que deve ser humanizado para a humanização dos homens, responsabilidade com estes, com a história. Este compromisso com a humanização do homem, que implica uma responsabilidade histórica, não pode realizar-se através do palavrório, nem de nenhuma outra forma de fuga do mundo, da realidade concreta, onde se encontram os homens concretos. O compromisso, próprio da existência humana, só existe no engajamento com a realidade, de cuja “águas” os homens verdadeiramente comprometidos ficam “molhados”, ensopados. Somente assim o compromisso é verdadeiro. Ao experienciá-lo, num ato que necessariamente é corajoso, decidido e consciente, os homens já não se dizem neutros. A neutralidade frente ao mundo, frente ao histórico, frente aos valores, reflete apenas o medo que se tem de revelar o compromisso. Este medo quase sempre resulta de um “compromisso’ contra os homens, contra sua humanização, por parte dos que se dizem neutros. Estão “comprometidos” consigo mesmos, com seus interesses ou com os interesses dos grupos aos quais pertencem. E como este não é um compromisso verdadeiro, assumem a neutralidade impossível.
A consciência ingênua não gera compromisso com a realidade. A inexistência do compromisso compromete a mudança e a transformação da sociedade. Por isso Paulo Freire conclui seus pensamentos mostrando que a problematização de uma realidade é que gera mudança de percepção, por meio do enfrentamento do homem com sua realidade. Assim, a partir do momento que o ser humano toma consciência com a sua realidade, e percebe que deve atuar, pensar, crescer transformar a sociedade a partir do momento que assumir um compromisso com a própria humanidade.
Bibliografia

FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

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