Podemos
definir categoria, de modo geral, como qualquer noção que sirva como regra para
a investigação. Assim sendo, identificamos no texto como Paulo Freire trata
categorias como consciência, sociedade, mudança e compromisso. Freire afirma
que é impossível se fazer uma “reflexão
sobre o que é educação sem refletir sobre o próprio homem”. Assim, ele
procura mostrar a necessidade de se encontrar na natureza humana o núcleo
fundamental do processo educacional. As quatro categorias citadas ajudam na
busca deste núcleo e aponta alguns caminhos a serem seguidos quando tratamos de
educação.
A
começar pela categoria consciência,
a partir dela, o ser humano percebe-se inacabado e procura por meio da
consciência refletir sobre a sua própria realidade. Ao compreender sobre sua
realidade ele procura soluções por meio das hipóteses sobre o desafio dessa
mesma realidade. A criação e a transformação do mundo em que vive passam ser
reflexo desta consciência reflexiva e crítica. Nas palavras de Freire:
Na medida em que os
homens, dentro de sua sociedade, vão respondendo aos desafios do mundo, vão
temporalizando os espaços geográficos e vão fazendo história pela sua própria
atividade criadora.
O
contrário seria a sociedade
alienada, que não tem consciência do seu próprio existir. E neste sentido Paulo
Freire afirma que “o ser alienado não
olha para a realidade com critério pessoal mas com olhos alheios. Por isso vive
uma realidade imaginária e não a sua própria realidade objetiva”. O mesmo
ocorre coma consciência bancária, quando o educando participa passivamente do
processo educacional, perdendo o seu poder de criar e de transformar o mundo.
Freire assim critica quando nossas escolas “se enfatiza muito a consciência
ingênua” simplista e massificadora de comportamentos.
A mudança desta sociedade somente
ocorrerá por meio do processo de conscientização. E esse é o processo
educacional ansiado pela pedagogia de Paulo Freire: “a mudança de uma sociedade de oprimidos para uma sociedade de
iguais”. Neste sentido, Moacir Gadoti refere a Freire no Prefácio do livro
intitulado “Educação e Ordem Classista”:
Paulo Freire combate a
concepção ingênua da pedagogia que se crê motor ou alavanca da transformação
social e política. Combate igualmente a concepção oposta, o pessimismo
sociológico que consiste em dizer que a educação reproduz mecanicamente a
sociedade. Nesse terreno em que ele analisa as possibilidades e as limitações
da educação, nasce um pensamento pedagógico que leva o educador e todo
profissional a se engajar social e politicamente, a perceber as possibilidades
da ação social e cultural na luta pela transformação das estruturas opressivas
da sociedade classista. Acrescente-se porém que embora ele não separe o ato
pedagógico do ato político, nem tampouco ele os confunde. Evitando querelas
políticas ele tenta aprofundar e compreender o pedagógico da ação política e o
político da ação pedagógica, reconhecendo que a educação é essencialmente um
ato de conhecimento e conscientização e que, por si só, não leva uma sociedade
a se libertar da opressão.
Aí
chegamos a um ponto importante, a questão do compromisso não só do profissional, mas do compromisso do ser
humano. Um compromisso que leve a ação e
reflexão sobre a realidade, que leva o ser humano a sair da letargia em que
vive para uma ação dinâmica e duradoura. Como afirma:
Impedidos de atuar, de refletir, os homens
encontram-se profundamente feridos em si mesmos, como seres de compromisso.
Compromisso com o mundo, que deve ser humanizado para a humanização dos homens,
responsabilidade com estes, com a história. Este compromisso com a humanização
do homem, que implica uma responsabilidade histórica, não pode realizar-se
através do palavrório, nem de nenhuma outra forma de fuga do mundo, da
realidade concreta, onde se encontram os homens concretos. O compromisso,
próprio da existência humana, só existe no engajamento com a realidade, de cuja
“águas” os homens verdadeiramente comprometidos ficam “molhados”, ensopados.
Somente assim o compromisso é verdadeiro. Ao experienciá-lo, num ato que
necessariamente é corajoso, decidido e consciente, os homens já não se dizem
neutros. A neutralidade frente ao mundo, frente ao histórico, frente aos
valores, reflete apenas o medo que se tem de revelar o compromisso. Este medo
quase sempre resulta de um “compromisso’ contra os homens, contra sua humanização,
por parte dos que se dizem neutros. Estão “comprometidos” consigo mesmos, com
seus interesses ou com os interesses dos grupos aos quais pertencem. E como
este não é um compromisso verdadeiro, assumem a neutralidade impossível.
A
consciência ingênua não gera compromisso com a realidade. A inexistência do
compromisso compromete a mudança e a transformação da sociedade. Por isso Paulo
Freire conclui seus pensamentos mostrando que a problematização de uma
realidade é que gera mudança de
percepção, por meio do enfrentamento do homem com sua realidade. Assim, a
partir do momento que o ser humano toma consciência
com a sua realidade, e percebe que deve atuar,
pensar, crescer transformar a sociedade
a partir do momento que assumir um compromisso
com a própria humanidade.
Bibliografia
FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

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